Setembro Amarelo aborda a prevenção ao suicídio

Videira – A Escola do Legislativo de Videira realizou na noite da quinta-feira, 20, na Câmara de Vereadores, a palestra “A solidariedade em prol da vida”. O evento teve a presença do voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV), Edson Pilger Dias Sbeghen, e foi alusivo ao Setembro Amarelo – campanha que visa a prevenção ao suicídio.

O voluntário Edson iniciou sua fala destacando as dificuldades que as pessoas têm em falar e ouvir sobre o suicídio. Também apontou que alguns fatores, como o advento da internet, séries e desafios que tratam sobre o tema tem fomentado a discussão. “Isso tudo vem escancarando o quanto precisamos falar sobre suicídio e, de certa forma, o quanto precisamos aprender a conversar sobre o assunto. Talvez a pessoa até tenha a boa vontade de ajudar, mas o modo como fala acaba estigmatizando e provocando no outro ainda mais sofrimento”, salienta.

Da mesma forma, ele provocou a reflexão a respeito de como a sociedade, mesmo sem querer, impõe cobranças e provoca sofrimento nas pessoas que, em determinados casos buscam o fim da vida como uma forma de cessar a dor que sentem.

Em seguida, ele explanou a respeito do CVV, que é uma associação civil sem fins lucrativos fundada em 1962 com o intuito de prestar apoio emocional para a prevenção do suicídio. O CVV atende de forma voluntária as pessoas que querem e precisam conversar de forma anônima através do telefone, internet e também nos postos físicos. Os atendimentos, segundo ele, são baseados na escuta sem julgamentos por parte dos atendentes.

Por fim, o voluntário ficou a disposição para responder perguntas. Os presentes também aproveitaram para compartilhar depoimentos.

 

Entrevista

Quais são os mitos e as verdades que cercam o suicídio?

São muitos os mitos que tem em relação ao suicídio. Acho que um dos principais mitos que se construiu é justamente esse de que não se deve falar sobre. Várias frentes, tanto científicas como do próprio CVV, estão levando a ideia de falar com o intuito da prevenção.

Outro mito é que as pessoas geralmente dizem “quem quer se matar não fala”. Muito pelo contrário. É muito importante que a gente esteja atento às pessoas, ao que elas estão falando, coisas como “eu queria comprar passagem só ida”, ou “gostaria de deitar e nunca mais acordar”. A pessoa não está dizendo que está decidida a se matar, mas ela está sinalizando que está sofrendo e é importante ouvir essas pessoas, acolher e até mesmo oferecer uma ajuda “posso te ajudar”, “você quer falar mais sobre isso?”, “o que está passando contigo?”. São maneiras que temos de conscientizar as pessoas e até mesmo prevenir o suicídio.  Sempre que alguém falar ou sinalizar isso é preciso levar em consideração.

Como já foi mencionado, é importante falar sobre suicídio, porém, também é preciso ressaltar que é importante ter responsabilidade com o assunto. Como abordar o suicídio sem reproduzir preconceitos?

Foi intitulado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) o conhecido “Efeito Werther”, e a partir disso também se produz um silenciamento, principalmente nos meios de comunicação. Eu acho que sim, precisamos falar com uma certa responsabilidade, principalmente nos veículos de comunicação e nas redes. Com o advento da internet essa temática ganha um certo contorno que não se tinha antes. E o falar vai muito nessa ideia de prevenção. Se for necessário noticiar, que seja de uma maneira bem consciente, sem essa ideia do sensacionalismo, sem dar muitos detalhes do método, do modo, de como foi… É preciso que seja mais uma informação do que uma construção de opiniões.

Como voluntário, qual é o sentimento de contribuir com uma causa como essa? De forma geral, como ajudar o outro contribui para o próprio sentimento de valorização da vida?

Eu acho que ser voluntário, não apenas no CVV, mas fazer qualquer serviço voluntário produz um sentimento de gratificação muito grande. Eu me lembro muito de uma fala de um dos fundadores do CVV em uma das primeiras formações que eu fui que ele disse “Aqui você vai encontrar pessoas que estão dispostas a ajudar, mas pessoas que também vieram procurando ajuda e o ajudar dá sentido para a vida delas”. Eu acho que temos muito disso: das pessoas que buscam o serviço, mas também que encontraram ajuda no CVV e ajudar outras pessoas acaba construindo o sentido para a vida. Acho que é uma troca, esse serviço voluntário me agrega um monte enquanto pessoa, enquanto modo de olhar para a sociedade, enquanto construção, enquanto formação pessoal, é uma troca muito grande entre quem está como voluntário e o ato de atender alguém.

Prod: Tamires Matté/ Assessoria de Imprensa da Câmara de Videira

 

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