A sociedade está muito mais aberta ao cooperativismo

Florianópolis – Na manhã desta sexta-feira (23), o diretor executivo do Centro Administrativo do Sicredi, João Tavares, falou sobre inovação e tecnologia durante a programação do 12º Congresso Nacional de Cooperativismo de Crédito (Concred), em Florianópolis. O foco do evento foi o “Protagonismo e sinergia em cenários de mudanças”. Tavares concedeu entrevista exclusiva à Agência Adjori de Jornalismo e falou sobre como atrair a nova geração para o mercado do cooperativismo de crédito.

Para João Tavares, mentalidade da nova geração é mais ligada ao associativismo e colocou em desuso a ideia de desenvolvimento individual

Rede Catarinense de Notícias: Como você avalia o aumento da participação de pessoas jurídicas nas cooperativas de crédito?

João Tavares: O que vem acontecendo nos últimos anos é o fortalecimento das cooperativas.  Elas tem se tornado grandes, fortes e com portfólio de produtos mais completos. Conforme elas vão aumentando, a capacidade de atendimento delas também se amplia. Elas conseguem atender cooperados de maior porte, entre eles pessoas jurídicas. Outro detalhe que aconteceu nos últimos anos é que aumentou muito o número de pequenas empresas e empreendedores individuais. E esse é um mercado típico de cooperativa, porque elas aportam não só recursos, mas também conhecimento, suporte à gestão. Então, há um interesse muito grande dessas empresas em estar próxima do cooperativismo.

RCN – Santa Catarina é um estado com o cooperativismo consolidado. Quais as estratégias para crescer nesse cenário?

Tavares: Santa Catarina tem uma tradição cooperativa bastante forte. Tanto na parte de produção quanto também na parte de crédito. O nosso potencial de crescimento ainda é muito grande. Hoje, a sociedade se aproxima muito do cooperativismo, então tem um potencial de crescimento muito relevante, mesmo nessas áreas onde se é mais tradicional. Mas ainda tem um número muito grande de pessoas que precisam conhecer e se aproximar e saber que cooperativas é para todos e não só para o produtor rural.

RCN – Como fazer, na prática?

Tavares: A forma de fazer é simplificando nossa abordagem. O cooperativismo é para todos. Se a gente complica, diz que é apenas para um grupo, complica a entrada. A outra forma é pensando mais leve, mais moderno. Aqui no evento, a gente teve várias pessoas falando sobre transformação, sobre evolução digital e isso as cooperativas têm que trazer para dentro do mindset delas. No Sicredi, por exemplo, nós estamos fazendo uma transformação digital que envolve não só a transformação dos sistemas, mas também a forma como a gente administra, uma forma mais leve; agências que foquem mais na aproximação com o associado do que ficar virado de costas fazendo processos. Se a gente facilita os processos, se a gente aproxima mais da comunidade, a comunidade entende e embarca. Então, basicamente, nos tornar mais simples e, de outro lado, cada vez mais completo.

RCN – Então o crescimento constante dos últimos dez anos deve se repetir nos próximos dez?

Tavares: Com certeza que sim. Ainda acho que hoje existe um cenário melhor do que há dez anos, porque as cooperativas estão financeiramente mais robustas, a governança é muito mais sólida do que era há 20 anos atrás. Hoje, a governança está muito estabelecida. O marco regulatório, que é o Banco Central, está muito positivo para o crescimento das cooperativas, então, se a gente veio crescendo, a gente vai crescer mais ainda. E tem mais um fator: eu trabalho no cooperativismo há 20 anos. Nos últimos anos tem sido cada vez mais fácil falar sobre associação, sobre cooperação. A sociedade está muito mais aberta a esse tipo de coisa. Aquela lógica de desenvolvimento unitário que cada um se virava e pronto está caindo em desuso. As pessoas querem coisas mais associativas. A gurizada nova quer trabalhar mais em comunidade. Aí tem um berço muito fértil para o cooperativismo. A geração pensa diferente.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *